Se Dexter Morgan desenhasse sites de e-commerce…


… trocaria seu fascínio em picotar bandidos pela obsessão de picotar fluxos de compras, tornando-os tarefas simples e felizes. Afinal de contas, o objetivo deste psicopata em particular é tornar o mundo um lugar melhor.

Ainda na pele de Dexter Morgan, avalie as duas hipóteses abaixo:

1) Em 2010, Nielsen publica um relatório chamado E-commerce User Experience, apresentando as melhores práticas para desenhar sites de e-commerce.

Neste relatório, organiza um teste de usabilidade que avalia 20 sites pelo viés de 64 usuários, descrevendo uma série de boas práticas para momentos distintos do fluxo de compras como: categorização e página dos produtos, checkout, estratégia de vendas, resultado de busca, etc. A questão é que o relatório indica uma tendência a fascicular as etapas do fluxo de compra, mesmo que isso gere mais páginas para concluir a tarefa.

Nas palavras de Nielsen, adaptado (2001):

Depois de escolher o produto, o objetivo do usuário é comprá-lo com rapidez. Confusão e perguntas sem respostas deprimem o ritmo da aquisição. A melhor estratégia para checkouts eficientes é correspondê-los as expectativas do cliente. Recomendamos o seguinte modelo para checkout:
1. Página do produto
2. Carrinho
3. Opção de presente
4. Tipo de entrega
5. endereço para entrega / endereço para conta
6. Revisão do pedido / forma de pagamento
7. revisão do pedido”

2) Com a instalação das ferramentas de métrica em sites como Google Analytics e Omniture, pode-se estabelecer metas e monitorar o tráfego dos usuários: quantos deles percorreram o caminho e compraram um produto, quantos desistem da compra e em qual momento do fluxo isso acontece. Sabe-se, por meio dessas informações, que o numero de usuários diminui conforme as páginas avançam em direção ao final da compra!

Talvez motivado justamente por esses relatórios, Jeffrey Zeldman estabeleceu, em 2001, um princípio chamado “the 3 clicks rules”. Basicamente, ele defende que um usuário deve encontrar qualquer informação com, no máximo, três cliques. Assim, em e-commerce, deveríamos sintetizar o processo de compras com menor numero de telas possíveis.

Voltando à pele de Dexter, ao desenhar, por exemplo, um processo de checkout: nós segmentaríamos a navegação de acordo com os testes de usabilidade de Nielsen ou nos renderíamos aos números do Google Analytics?

Bem, nosso anti-herói é obcecado processos picotados, ou melhor, fasciculados. Melhor ainda: para Dexter cada página cumpre um objetivo, desde que o fluxo esteja orientado para a compra e que o usuário não se perca durante sua execução.

Concordo com ele neste post. Agora, deixem-me explicar por que.

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Uma estranha realidade


Vou falar hoje sobre nossa percepção: como ela é moldada pelas nossa experiências passada e presentes que, mescladas, criam expectativas futuras.  O que isso tem a ver com design de interação? Well, keep dreaming with me.., quero dizer, reading.

Leio Jeff Johnson, phd, autor do livro Design with the Mind in Mind.

O livro cita boas práticas para se desenhar sistemas interativos e preocupa-se em explicá-las com um viés aprofundado em psicologia cognitiva.

Vários autores (Norman, Shneirderman, Nielsen, Marcus, etc) se interessaram em criar guias de boas práticas para tornar as interfaces de computador mais acessíveis. O que eles têm em comum? Segundo Johnson, 2010,  alguma graduação em psicologia cognitiva: estudaram com profundidade como as pessoas percebem, aprendem, argumentam, lembram e convertem intenções em ações. Continuar lendo “Uma estranha realidade”

Arquitetos de informação e a coreografia do cisne negro


O Cisne Negro, de Aronofsky

Assisti ao comentado filme Cisne Negro, do diretor Darren Aronofsky.

A história mostra o empenho da jovem bailarina Nina em encontrar, dentro de si, as características necessárias para interpretar o enigmático Cisne Negro, da obra O Lado dos Cisnes, de Tchaikovsky.

Esse aspecto da personalidade, que a atriz tenta exteriorizar, representa a sedução e a agressividade que em outras pessoas surgem naturalmente, mas na personagem, reprimida e resguardada, exigem um hercúleo trabalho de autoconhecimento e maturidade.

Ela domina completamente a técnica do ballet, mas, segundo o diretor da companhia, o cisne negro pede mais do que isso, ele deve seduzir a platéia.

O que isso tem a ver com Arquitetura de Informação? Continuar lendo “Arquitetos de informação e a coreografia do cisne negro”

Wurman e a escolinha para arquitetos de informação


Richard Wurman

Há muito tempo penso em escrever um site para discutir assuntos relacionados à arquitetura de informação. No aguardado “primeiro post” do blog resolvi reunir e discutir algumas definições de autores consagrados no campo.
Veja algumas delas.

Richard Saul Wurman, formado em arquitetura e criador do termo “arquiteto de informação” começou a observar, em meados da década de 70, os passos que um arquiteto deve observar para criar um edifício que realmente atenda às necessidades de seus ocupantes:

– coletar informações sobre as necessidades de seus futuros ocupantes
– organizar estas informações em padrões coerentes que exprimam o interesse da maioria
– projetar um edifício que corresponda às necessidades apontadas, refletindo-as em toda a riqueza de detalhes: quartos, materiais, layout dos espaços, fluxos, etc. (WYLLYS, 2000). Continuar lendo “Wurman e a escolinha para arquitetos de informação”