Conheça o Ryan…


Esta estorinha criada pelo time de UX do Google é muito interessante.

Aliás, se olharmos com atenção, temos aqui todos os elementos estruturais descritos pelas técnicas de Storytelling for User Experience: um personagem representando o público do produto, um problema (o clássico “odeio perder tempo administrando esse monte de papelada inútil”) e um final feliz: os aplicativos do Google Market Place ajudando nosso personagem a organizar sua empresa, compartilhar documentos e armazenar informações importantes nas nuvens, protegendo-as, inclusive, de goteiras indesejadas no escritório.

Eu não sou fã do Google. Aliás, na minha opinião, faz tempo que eles não fazem algum produto surpreendente.  Mas essa estória quase me convenceu!

A very very rigid search (1 de 2)



Jonathan Safran Foer é um judeu fanático por memórias familiares. Também conhecido como o colecionador, plastifica e organiza cronologicamente todos os objetos familiares na sua estante particular de lembranças.

Um dia é presenteado por uma enigmática fotografia de seu avô e Augustinne, mulher conhecida por ter salvado o patriarca da família dos nazistas, em 1942.

Aflito para conhecer mais sobre este passado obscuro, Jonathan parte para uma viagem no interior da Ucrânia, local onde seu avô nasceu.

Seu apelido de colecionador não é a toa: sistemático, racional e determinado a coletar todas as memórias que encontrar durante o caminho, nosso personagem nomeia sua aventura de “very very rigid search”. Entretanto, ao longo da jornada, descobrimos um Jonathan afetuoso e sensível, permeável às surpresas que a viagem trará ao seu destino.

A partir da estória acima (sinopse do filme Uma vida Iluminada, de Liev Schreiber, 2005), podemos inferir algumas verdades sobre o comportamento de busca:

– É uma atividade ampla: refere-se a todas as ações que nos submetemos para encontrar respostas. Trata da maneira como as pessoas colecionam informações do seu ambiente para resolver problemas ou satisfazer objetivos.

– Pode ser uma atividade direta e simples: “onde está a chave do meu carro”;

– Pode ser uma atividade complicada, como no caso de Jonathan: “descobrir um pouco mais sobre a origem da minha família”. Quando envolvidos por um enredo complexo, existe a chance de nos transviarmos em digressões maiores. (Já dizia Clarice Lispector, “perder-se também é caminho”);

– Também é mesclada por emoções: estudos atuais apontam para o conceito de busca emocional, ou seja, nossas emoções são tão fundamentais quanto o processo cognitivo e comportamental. (Kalbach, 2008).

Resumindo, assim como Jonathan, ao buscar por respostas, “somos tão racionais quanto não se pode ser” 😉

To be continued…

Bibliografia
KALBACH, James. 2008. Designing the web navigation. Estados Unidos: O´Reilly, 2008.

Perdidos no hiperespaço


Comparativamente, a sensação de perder-se em grandes cidades ou em portais pode ser idêntica. Perda de tempo e frustração descrevem a aventura de vagar por bits desnecessários.

James Kalbach,2008, em seu esclarecedor livro, “Designing web navigation, optimizing the user experience“, procura estabelecer:

– Em que momento os usuários se perdem no hiperespaço;
– Modelos teóricos que ajudam a compreender como os usuários buscam por informação no mundo virtual e físico:

Nas suas palavras:

Theorical models of information seeking help explain how people find information by taking holistic look at the ways in which people hunt for information in their lives. Understanding them may not solve your immediate web design problems, but an awareness of their basic principles can help you understand broader navigation issues. (KALBACH, 2008 [1181, edição para kindle])

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Ponto de Mutação


“(…) composers use change in pitch, rhythm, texture, and so on to create drama or to move the music foward. Change and variation is vital to holding the listener´s interest. As was once said about J.S. Bach´s music “it is great because it is inevitable and yet surprising.” This also echoes the theory of aesthetic value proposed by American mathematician George David Birkhoff: for a work of art to be pleasing, it should neither be too regular nor too surprising (…)” Kalbach, 2008.

Nunca pensei em relacionar o entendimento de conteúdo por parte dos usuários à mutação do sistema navegacional. No mundo físico coisas repetitivas, de fato, enjoam. No mundo virtual também. Se compararmos navegação de sites ao desenrolar de filmes, tentaremos tornar a transição das páginas sutil, mas não monótona. Dinâmica, mas não drástica.

David R. Danielson escreve sobre o assunto no artigo Transicional Volatility in Web Navigation, ao pé da letra: Volatilidade Transicional em Navegação de Web Sites… Continuar lendo “Ponto de Mutação”

Wait a minute mister postman (2 de 2)


Carteiro Joseph Roulin, por Vicent Van GoghVan Gogh, Vincent – Postman Joseph Roulin – Post Impressionism – Portrait – Oil on canvas

Long-term memory evolved to serve our ancestors and us very well in getting around in the world. However, it has many weaknesses: it´s error-prone, impressionist, free-associative, idiosyncratic, retroactively alterable, and easily biased by a variety of factors at the time of recording or of retrieval. (JOHNSON, Jeff. 2010)

Teste sua memória de longo prazo::
(Caso você tenha lido o post anterior)

– Qual era o assunto discutido?
– Qual o nome da nossa “persona”?

(Caso não o tenha lido)
– Qual o nome deste blog?

Nossa memória de longo prazo é impressionista, propensa a erros e submersa em percepções passadas e atuais.
Não é por acaso que e-mails bem desenhados ajudam os usuários a se lembrar de:

– Senhas;
– Endereços de e-mail;
– Detalhes de compras realizadas por um site de e-commerce;
– Recados deixados por amigos no facebook, orkut, flickr, e outras notificações oriundas de redes sociais;
– Confirmações de reuniões, compromissos;
– Ufa.

Talvez meu próximo post seja sobre Ansiedade de Informação. Mas hoje, basta resolver o problema do Mário e deixar as mensagens enviadas durante/após sua compra on-line mais sucintas.

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Protótipos: esboçar a idéia, fazer telas estáticas ou desenhar as interações? Qual o melhor custo x benefício?


Sábado, 9/4 foi dia de UX Camp. O evento em formato de “desconferência” convida os participantes a propor um tema e discuti-lo com outros profissionais da área. (Acesse o site oficial aqui).

Eu e a Paola Mouro propusemos o seguinte mote: Protótipos: esboçar a idéia, desenhar telas estáticas ou interações? Qual melhor custo x benefício?

Tivemos duas novidades durante o dia:

1) Antes da discussão sobre protótipos, participamos de um debate sobre métodos ágeis e como eles afetam temporal e economicamente o cotidiano dos designers de interação e arquitetos de informação;

2) Surpreendentemente, encontramos na discussão acima argumentos para o nosso dilema: como e quando montar protótipos econômicos para as empresa em tempos de metodologia ágil?

Basicamente os profissionais presentes no debate se dividiram em duas soluções: protótipos realizados em papel x protótipos realizados em software. Vejamos as vantagens de cada um:

1) protótipos em papel: podem ser um recurso econômico (precisa-se apenas de um lápis e uma folha), não dispersivo e utilizado como solução amigável para convidar usuários a opinarem sobre o site;

2) protótipos em softwares: são ágeis, mais fáceis para se transformar em testes de usabilidade e funcionam como ferramenta criativa para o designer aperfeiçoar detalhes das interações durante fluxo.

Bem, não precisamos escrever que a vasta maioria dos participantes prefere desenhar protótipos em softwares, certo?

Entretanto, pesquisando sobre o assunto, achamos o livro Prototyping, do designer Todd Zaki Warfel, que discute metodologias para a criação de protótipos.

Vamos dar uma olhada?

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