A very very rigid search (2 de 2)

Uma Vida Iluminada

There seems to be agreement on three general types of browsing that may differentiated by the object of search (the information needed) and by the sistematicity of tatics used. (MARCHIONINI, 1995)

Sumariamente, estudamos nos últimos dois posts particularidades da busca pela informação. Em tempos remotos, ingenuamente, os pesquisadores simplificavam o processo: “the seeker simply enters a query and is given matching results” (KALBACH, 2008)

A partir da década de 80 houve uma inversão nas pesquisas e os cientistas da área reconheceram que a busca por informação é um conjunto de tarefas complexas compostas por diversas variáveis.

Quatro estudos marcam esta transformação e passam a integrar uma coleção de estudos acadêmicos sobre o assunto (“Modelos teóricos de busca”). São eles:

– Sense Making, por Brenda Dervin;

– Anomalous States of Knowledge (ASK), por Nicholas Belkin;

– Value-added seeking, por Robert Taylor;

– Behavioral model, por David Ellis (estudado aqui, no post perdidos no hiperespaço). (KALBACH, 2008)

Definindo busca por informação como qualquer ação tomada para encontrar respostas, hoje exploraremos mais sobre as diferentes abordagens que construímos para encontrá-las, ou seja, modos de buscar por informações, em inglês: modes of seeking information.

I discovered the concepts in this article while preparing material for na introdutory information architecture workshop. In the workshop, I thought it important to highlight that one aspect of designing for users was to understand the ways in which they may approach an information task. I was already familiar with the concepts of know-item and exploratory information seeking: they are common in the library and information science and are also discussed in Information Architecture for the World Wide Web). (SPENCER, 2006)

Segundo Donna Spencer, 2006, existem quatro categorias principais que resumem a maneira como o usuário confronta a informação procurada, são elas:

Know Item
O usuário sabe o que procura, conhece palavras para descrever o seu objetivo e sabe por onde começar a busca.

Exploratory
Os usuários tem uma vaga idéia do que procuram. Não sabem articular questões sobre o assunto pois não conhecem as palavras-chaves para descreve-lo. Muitas vezes não sabem por onde começar a busca, entretanto, reconhecem um resultado correto.
Nesse modo, a necessidade de informação mudará proporcionalmente ao aprendizado sobre o assunto pesquisado.

Don´t know what you need to know
Os usuários não conhecem o tema procurado. Frequentemente buscam uma informação, mas procuram por outro assunto por engano. Abrange também casos em que navegamos por sites sem objetivos específicos.

Re-finding
Este modo é direto. Usuários procurando por necessidades já exploradas anteriormente. Podem lembrar exatamente o assunto, em qual site procurar, ou apenas ter uma turba idéia. Nas palavras de David Ellis, os usuários estariam nas tarefas de navegar e monitorar.

Information Seeking on the web, uma pesquisa
Outro estudo interessantíssimo realizado sobre os modos de busca chama-se Information seeking on the Web: An integrated model of browsing and searching, já citado aqui. Executado pelos professores Chun Wei Choo, Brian Detlor e Dan Turnbull em 2000, analizou e classificou padrões de navegação de usuários durante um período específico.

Para compreender a pesquisa de Choo, precisamos avaliar o modelo de busca proposto por Weick and Daft, 1983 que avalia a busca realizada por usuários dentro de organizações. (Choo, 2000, apud Weick and Daft 1983):

Visualização sem direção
O usuário é exposto à informação sem uma necessidade específica em mente. O objetivo é passar os olhos em um grande volume de dados. Muitas fontes são utilizadas para a pesquisa.

Visualização condicionada
O usuário direciona a visualização em tópicos selecionados ou certos tipos de informação. O objetivo é avaliar significados encontrados a partir da primeira etapa: visualização sem direção.

Busca informal
O usuário procura instruções para aprofundar seu conhecimento e entendimento de um tópico em específico. O propósito é coletar dados para elaborar questões que determinarão as próximas ações da organização.

Busca formal
O usuário planeja uma pesquisa para obter específicos tipos de dados sobre um assunto em particular.A busca é denominada formal por que é estruturada de acordo com procedimentos e metodologias pré-estabelecidos. A busca é bastante focada em encontrar um resultado específico; O propósito é recuperar informações relevantes sobre um assunto, de modo a suportar decisões da organização.

O modelo acima pode ser combinado com o modelo proposto por David Ellis, discutido aqui.

Modelo comportamental de busca por informação (proposto por David Ellis)

Modelos propostos por david Ellis x Daft e Weick

A Pesquisa
34 usuários de 7 companhias participaram da pesquisa. Todos os participantes utilizavam a internet como ferramenta profissional, reconhecendo-a como parte integral do trabalho.

Um questionário foi aplicado a fim de identificar quais fontes de informação eram mais utilizadas (impressas e online), freqüência de uso, etc.

Subsequentemente, foi instalado um software que gravou o histórico de navegação dos participantes durante o período de 2 semanas.


Passo 1 – classificação dos episódios

Esse arquivo (logfile) foi pré-analizado e preparado para entrevistas pessoais com cada usuário. Os participantes foram convidados a falar sobre como e onde encontraram informações relevantes na web e quais dados os levaram a tomar decisões importantes. Quando apropriado, foram lembrados de sites indicados em seu histórico.

Finalizando, comentaram de maneira geral seu uso da internet, incluindo estratégias de busca utilizadas e preferências, assim como o que consideravam aspectos positivos e negativos.

Ao relacionar as entrevistas com os arquivos individuais de cada usuário, os pesquisadores detectaram episódios significativos durante a busca da informação, ou seja, ocasiões em que o tempo e esforço aplicados para encontrar o dado necessário foram expressivos e momentos onde as atividades de busca eram freqüentes.

Estatísticas
De 61 episódios identificados, 12 foram categorizados como visualização sem direção. Os exemplos mais comuns deste tipo de busca foram visitas a sites de notícias e revistas.

18 episódios foram identificados como visualização condicionada. Exemplos mais comuns são visitas a sites marcados em bookmarks ou o começo a partir de uma página em particular que contém links a sites de interesse. Muitos usuários visitam sites pré-determinados para monitorar novos conteúdos nas sessões selecionadas.

23 episódios foram classificados como busca informal – o maior grupo. Aqui, os usuários realizavam a busca a partir de um termo específico, como nome de companhias, produtos, tecnologias a fim de executar buscas simples em sites de fácil alcance nos buscadores.

8 episódios foram classificados como busca formal. Neste caso, os usuários procuram por informações muito específica, como por exemplo um plano de ação que poderia ser apresentado ao gerente. Utilizaram a busca avançada.

Passo 2 – Análise do histórico de navegação por episódio
Para cada episódio previamente categorizado, os arquivos gravados (logfiles) foram analizados a fim de obter-se as ações cronologicamente realizadas durante a pesquisa.

Foi possível analisar:

– Ações cronológicas;

– Seqüência de sites visitados e repetição desta seqüência;

– Movimentos de avançar e retroceder;

– Seleção de sites arquivados como favoritos;

– Uso de buscadores;

– Quando os usuários imprimiram uma página.

A partir desta pesquisa, a narrativa foi categorizada de acordo com o modelo comportamental de David Ellis.

Classificação do histórico do browser

Para os episódios classificados como visualização sem direção, a análise do browser detectou o comportamento de começo e encadeamento. (starting and chainning). Ou seja, os participantes começavam a navegação por uma página marcada como favorita (um portal de notícias, por exemplo) e seguiam links que julgavam interessantes. Esta movimentação era frequentemente marcada por ações de avançar e retornar, utilizando a página de começo como âncora.

Nos episódios de visualização condicionada, os comportamentos mais freqüentes foram: diferenciação, navegação e monitoração (differentiating, browsing, monitoring).
Neste caso, os usuários selecionavam sites marcados como favoritos ou digitavam uma URL conhecida (diferenciação). Frequentemente retornavam a estes sites conhecidos para verificar informações novas sobre determinado assunto.

Durante os episódios de busca informal, o comportamento mais utilizado foi diferenciação e extração (differentiating, monitoring). Os usuários navegavam por sites conhecidos, utilizando o mecanismo de busca do próprio site. Desse modo, esperavam resultados precisos. Por exemplo, procurar por uma tipo de relatório em uma consultoria de pesquisas.

Durante a busca formal, o comportamento mais executado foi a extração (extracting) através da busca avançada. Os participantes trabalharam com um extensivo número de buscadores para encontrar informações relevantes sobre o tópico em questão.

Conclusão
Os modelos acima ajudam a identificar a maneira pela qual o usuário procura pela informação e concluem: não devemos assumir a navegação nos sites como uma narrativa linear com começo, meio e fim. Podemos estar certos do que procuramos (know item), entretanto, podemos estar em um processo de lapidação de conhecimento, onde acessaremos o maior número de sites possíveis em um intervalo muito curto de tempo, como ilustra os conceitos de visualização sem direção, proposto por Daft e Veick ou começo, encadeamento e navegação, segundo David Ellis.

Finalmente, assim como nosso querido Jonathan Safran Foer, somos criaturas de hábito. Tanto os estudos de Choo quanto de Donna Spencer apontam para o fato de que navegar em páginas já visitadas anteriormente (re-visiting) é uma forte tendência, assim como a utilização de recursos no browser como favoritos, avançar e recuar.

Aliás, segundo Choo, a grande maioria dos usuários inicia as sessões de navegação por sites já conhecidos, como portais de notícias ou revistas relacionadas a assuntos de interesse.

Interessante apontar também como as ferramentas de monitoração avançaram para recursos como o google reader, por exemplo.

Ou ainda, como o google +1 vem de encontro as necessidades de “navegar” e “diferenciar” o conteúdo somadas ao nosso hábito de revisitar sites:

Na próxima vez em que estiver tentando se lembrar daquela pousada que seu amigo adorou ou encontrar uma boa instituição de caridade para oferecer sua ajuda, o botão +1 poderá ser muito útil. Só não se esqueça de fazer login em sua Conta do Google.

Uma ferramenta muito útil para nosso amigo Jonathan, o colecionador.

Bibliografia
KALBACH, James. 2008. Designing the web navigation. Estados Unidos: O´Reilly, 2008.

CHOO, Chun Wei. DETLOR, Brian. TURNBULL, Dan. “Information seeking on the Web: An integrated model of browsing and searching“, First Monday 5 (2000). Disponível em: <http://firstmonday.org/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/view/729> Acesso: 17 julho 2011.

SPENCER, Donna. “Four modes of information seeking and how to design for then” Box and Arrows, 2006. Disponível em: <http://www.boxesandarrows.com/view/four_modes_of_seeking_information_and_how_to_design_for_them> Acesso: 7 agosto 2011

GOOGLE . “Recomendações quando você precisa delas“, Google +1. Disponível em: <http://www.google.com/+1/button/> Acesso: 7 de agosto de 2011.

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