Ponto de Mutação

“(…) composers use change in pitch, rhythm, texture, and so on to create drama or to move the music foward. Change and variation is vital to holding the listener´s interest. As was once said about J.S. Bach´s music “it is great because it is inevitable and yet surprising.” This also echoes the theory of aesthetic value proposed by American mathematician George David Birkhoff: for a work of art to be pleasing, it should neither be too regular nor too surprising (…)” Kalbach, 2008.

Nunca pensei em relacionar o entendimento de conteúdo por parte dos usuários à mutação do sistema navegacional. No mundo físico coisas repetitivas, de fato, enjoam. No mundo virtual também. Se compararmos navegação de sites ao desenrolar de filmes, tentaremos tornar a transição das páginas sutil, mas não monótona. Dinâmica, mas não drástica.

David R. Danielson escreve sobre o assunto no artigo Transicional Volatility in Web Navigation, ao pé da letra: Volatilidade Transicional em Navegação de Web Sites…

O termo é abstrato, mas ilustra um estudo sobre a variação das páginas enquanto os usuários transitam por elas. Por exemplo: é normal um menu mudar de posição ou os rótulos do site alterarem de uma página para outra. A questão é: quais efeitos essas mudanças trazem ao comportamento da navegação? (KALBACH, James. 2008)

Segundo a teoria de Danielsen, os usuários navegam em um ciclo de previsão, hábito e reorientação:

Hábito
Ao navegarem no site, os usuários se acostumam com os mecanismos de navegação e memorizam as páginas visitadas. Cada ato de navegação coexiste com expectativa e experiência adquirida anteriormente no site.

Previsão
A partir de padrões de navegação, rótulos, diagramação do site, etc. os usuários antecipam o que acontecerá no próximo passo/página da navegação.

Reorientação
Uma vez na nova página, os usuários se reorientam. O novo cenário passa a incorporar sua experiência e o ciclo recomeça.

O Tao da Navegação
Danielsen elaborou um teste comparando o esquema de navegação dos sites com compreensão dos usuários.

Elaborou diferentes esquemas de navegação com a mesma arquitetura de informação e conteúdo:

Site A – Visão completa
A navegação principal localizou-se no menu lateral esquerdo com o segundo e terceiro nível indentados.

Site B –Visão parcial
A categoria principal de links foi posicionada horizontalmente no topo da página. Os segundo e terceiro nível foram listados no menu lateral. Se os usuários selecionassem uma categoria principal, os links correspondentes a ela eram exibidos.

Site C – Visão contextual
Esta versão do site também posicionou as categorias principais no topo do site. Entretanto, separou o segundo e terceiro nível no menu lateral. Dinamicamente, se o usuário selecionasse a categoria principal, o leque de opções correspondentes se apresentava no segundo nível. Da mesma maneira, ao selecionar um link do segundo nível, uma nova coleção de links de terceiro nível aparecia.

Durante o estudo, os participantes completaram tarefas e responderam um questionário que avaliava sua compreensão do conteúdo e habilidade de se orientar por meio da navegação.

A conclusão do estudo é surpreendente: os usuários que utilizaram o site C (visão contextual) apresentaram maior facilidade de navegação e compreensão.

A mudança de conteúdo em pequenas porções prepara os usuários para variações (processo de previsão), facilitando a navegação (reorientação e hábito).

No site B (visão parcial) – a mudança durante a navegação é brusca, apresentando maiores índices de desorientação e dificuldade de navegação..

“Esta descoberta mostra que mudanças na navegação demonstram movimento e progresso dentro de um site e estes são fatores importantes para orientação e facilidade de navegação. Completa consistência não é sempre a melhor rota, tampouco dramáticas variações de página. Não existe um padrão fixo que quantifique a mudança necessária. Esta pesquisa demonstra que a regra é mudar a navegação frequentemente, mas também é necessário manter estas mudanças sutis, significativas e previsíveis.”  Kalbach, 2008.

Bibliografia
KALBACH, James. 2008.  Designing the web navigation. Estados Unidos: O´Reilly, 2008.

DANIELSON, David. R. “Transicional Volatility in Web Navigation“, IT & Society 1,2 (2003). Disponível em: <http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.58.845&rep=rep1&type=pdf> Acesso: 10 julho 2011.

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