Wurman e a escolinha para arquitetos de informação

Richard Wurman

Há muito tempo penso em escrever um site para discutir assuntos relacionados à arquitetura de informação. No aguardado “primeiro post” do blog resolvi reunir e discutir algumas definições de autores consagrados no campo.
Veja algumas delas.

Richard Saul Wurman, formado em arquitetura e criador do termo “arquiteto de informação” começou a observar, em meados da década de 70, os passos que um arquiteto deve observar para criar um edifício que realmente atenda às necessidades de seus ocupantes:

– coletar informações sobre as necessidades de seus futuros ocupantes
– organizar estas informações em padrões coerentes que exprimam o interesse da maioria
– projetar um edifício que corresponda às necessidades apontadas, refletindo-as em toda a riqueza de detalhes: quartos, materiais, layout dos espaços, fluxos, etc. (WYLLYS, 2000).

Visionário, Wurman transporta o seu conhecimento sobre construções civis para construções binárias e, quando é chamado em 1976 para dar uma palestra sobre arquitetura no Instituto Americano de Arquitetos (AIA), escolhe arquitetura de informação como tema e define o profissional da área como:

1) o indivíduo que organiza padrões inerentes aos dados, tornando o complexo claro. 2) a pessoa que cria uma estrutura ou mapa de informação que permite a outros encontrarem seu próprio caminho ao conhecimento. 3) uma profissão emergente do século 21, direcionada as necessidades desta era focada em clareza, compreensão e ciência da organização da informação. Wurman* (1997 apud WYLLYS, 2000).

Com o passar dos anos, o pensamento de Wurman ultrapassa os limites de mera definição e passa a ser a essência de toda abordagem para conceitualização de arquitetura de informação e os passos para se construir um website.

Morville e Rosenfeld publicam em 1998 a primeira edição do clássico Information Architecture for the World Wide Web. Definem arquitetura de informação conceitualmente como segue:

1) o design estrutural de ambientes compartilhados de informação. 2) A combinação de sistemas de organização, rotulação, busca e navegação em websites e intranets. 3) A ciência e arte de elaborar produtos e experiências de informação que suportam a usabilidade e localização de conteúdo. 4) uma disciplina emergente e uma comunidade focada em trazer a tona princípios de design e arquitetura ao ambiente digital. (MORVILLE; ROSENFELD. p. 4)

Na sequência de capítulos, explicam arquitetura da informação na prática, com seu famoso diagrama de Vênus, que define a disciplina na intersecção dos conceitos: contexto, conteúdo e usuários.
Information Architecture Diagramn
Information Architecture Concepts

Os três círculos ilustram a interdependência natural de usuários, conteúdo e contexto dentro da complexa ecologia da informação. Resumindo, precisamos entender o objetivo de negócio por trás do web site e quais os recursos disponíveis para design e implementação. Precisamos entender a natureza e o volume do conteúdo que existe hoje e como isso pode mudar daqui a um ano. Por último, precisamos aprender sobre as necessidades das nossas maiores audiências e como elas buscam informação no nosso site*. Arquitetura de informação é informada a partir destas três áreas. (MORVILLE; ROSENFELD. p. 24).

A definição de  Morville e Rosenfeld – talvez menos ingênua que a de Wurman – em essência fragmenta o ambiente digital em sistemas (rotulação, busca e navegação), mas propõe mapear conteúdos ou caminhos para o usuário, entendendo suas necessidades.

Para Wodtke e Govella (2009) os passos para o desenvolvimento de um website compreendem: “1. descubra quem é seu público alvo, 2. converse com ele, 3. desenhe o site, teste um protótipo, 5. teste o site final com o público alvo”. (localização 76-89, edição para kindle).

Surpreendentemente, apesar de Wurman cunhar o termo “arquitetura de informação” na década de 70, os livros sobre a disciplina ainda hoje utilizam a mesma metodologia conceituada por ele naquela época. Wurman é conhecido como o primeiro arquiteto da informação e, apesar de ter lançado o seu livro anos antes de Morville e Rosenfeld, não tenho dúvidas de que ele tenha estudado além de arquitetura outras disciplinas seculares como biblioteconomia.

Enfim, apesar da internet levar consigo uma inchada  “nuvem de clichês” como “mídia do futuro”,  “mídia inovadora”, “mídia revolucionária”, ela ainda é construída e demolida com técnicas estudadas e mapeadas na década de 70, ou bem antes disso, quiçá antes de Cristo.

Bibliografia
*WURMAN, R. S. Information Architects. Nova Iorque: Graphis Inc., 1997, capa.

MORVILLE, P.; ROSENFELD, L. Information Architecture for the World Wide Web. 3. ed. Estados Unidos: O´Reilly Media, Inc, 2006, p. 504.

WODTKE, C.; GOVELLA, A. Information Architecture: Blueprints for the Web. Estados Unidos: New Riders Press, 2009, p. 312.

WYLLYS, R. E. Information Architecture. Disponível em: http://www.ischool.utexas.edu/~l38613dw/readings/InfoArchitecture.html .Acesso em: 6 fev. 2011.

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2 comentários sobre “Wurman e a escolinha para arquitetos de informação

    1. Oi Isabela,
      É possível comprá-lo na Amazon, através de livrarias afiliadas a ela:
      http://www.amazon.com/gp/offer-listing/1888001380/ref=dp_olp_0?ie=UTF8&redirect=true&qid=1307311746&sr=8-1&condition=all

      Por algum motivo, a Amazon não vende este livro à nossa região (américa latina). Mas é possível comprá-lo nessas livrarias disponíveis. Ah, os exemplares são usados.

      Comprei o meu exemplar da HPB-Ohio. Demorou muito pra chegar (cerca de 3 meses), mas valeu a pena. 😉

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