A distância entre A e B


A distância entre A e B

“Scotty? Câmbio?

– Então você é agora um bambambã e todo mundo quer alguma coisa de você – falei.
Bennie voltou para trás da mesa e sentou-se ali de frente para mim, com os braços cruzados em uma pose que parecia menos relaxada do que a primeira que na verdade era mais.
– Vamos lá, Scotty – disse ele. – Você me escreve do nada, e agora aparece no meu escritório… Imagino que não tenha vindo até aqui para trazer um peixe.
– Não, o peixe era um presente – falei. Eu vim aqui pelo seguinte: quero saber o que aconteceu entre A e B.
Bennie pareceu estar esperando mais.
– A era quando a gente tocava na mesma banda e corria atrás da mesma garota. B é agora.” EGAN, Jennifer. 2010

Quando pensamos em design, como os personagens acima, refletimos sobre a distância percorrida entre os pontos A e B . Explico: Todo objeto de Design conta uma estória ao seu “público” e nossa expectativa é envolver nossos ouvintes de maneira esclarecedora e passional.  O começo desta estória – ponto A – é entender o que o público realmente deseja ouvir; A trajetória – nosso trabalho – é contar esta estória muito bem; O grand final – ponto B – é a maneira como o nosso público deixa o auditório – emocionalmente completo.

A palavra ‘realmente’ está em itálico propositadamente: é difícil compreender as necessidades do público (ou usuários), por que, muitas vezes, isso envolve analisar o que as pessoas não dizem explicitamente.

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Conheça o Ryan…


Esta estorinha criada pelo time de UX do Google é muito interessante.

Aliás, se olharmos com atenção, temos aqui todos os elementos estruturais descritos pelas técnicas de Storytelling for User Experience: um personagem representando o público do produto, um problema (o clássico “odeio perder tempo administrando esse monte de papelada inútil”) e um final feliz: os aplicativos do Google Market Place ajudando nosso personagem a organizar sua empresa, compartilhar documentos e armazenar informações importantes nas nuvens, protegendo-as, inclusive, de goteiras indesejadas no escritório.

Eu não sou fã do Google. Aliás, na minha opinião, faz tempo que eles não fazem algum produto surpreendente.  Mas essa estória quase me convenceu!

A very very rigid search (2 de 2)


Uma Vida Iluminada

There seems to be agreement on three general types of browsing that may differentiated by the object of search (the information needed) and by the sistematicity of tatics used. (MARCHIONINI, 1995)

Sumariamente, estudamos nos últimos dois posts particularidades da busca pela informação. Em tempos remotos, ingenuamente, os pesquisadores simplificavam o processo: “the seeker simply enters a query and is given matching results” (KALBACH, 2008)

A partir da década de 80 houve uma inversão nas pesquisas e os cientistas da área reconheceram que a busca por informação é um conjunto de tarefas complexas compostas por diversas variáveis.

Quatro estudos marcam esta transformação e passam a integrar uma coleção de estudos acadêmicos sobre o assunto (“Modelos teóricos de busca”). São eles:

– Sense Making, por Brenda Dervin;

– Anomalous States of Knowledge (ASK), por Nicholas Belkin;

– Value-added seeking, por Robert Taylor;

– Behavioral model, por David Ellis (estudado aqui, no post perdidos no hiperespaço). (KALBACH, 2008)

Definindo busca por informação como qualquer ação tomada para encontrar respostas, hoje exploraremos mais sobre as diferentes abordagens que construímos para encontrá-las, ou seja, modos de buscar por informações, em inglês: modes of seeking information.

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A very very rigid search (1 de 2)



Jonathan Safran Foer é um judeu fanático por memórias familiares. Também conhecido como o colecionador, plastifica e organiza cronologicamente todos os objetos familiares na sua estante particular de lembranças.

Um dia é presenteado por uma enigmática fotografia de seu avô e Augustinne, mulher conhecida por ter salvado o patriarca da família dos nazistas, em 1942.

Aflito para conhecer mais sobre este passado obscuro, Jonathan parte para uma viagem no interior da Ucrânia, local onde seu avô nasceu.

Seu apelido de colecionador não é a toa: sistemático, racional e determinado a coletar todas as memórias que encontrar durante o caminho, nosso personagem nomeia sua aventura de “very very rigid search”. Entretanto, ao longo da jornada, descobrimos um Jonathan afetuoso e sensível, permeável às surpresas que a viagem trará ao seu destino.

A partir da estória acima (sinopse do filme Uma vida Iluminada, de Liev Schreiber, 2005), podemos inferir algumas verdades sobre o comportamento de busca:

– É uma atividade ampla: refere-se a todas as ações que nos submetemos para encontrar respostas. Trata da maneira como as pessoas colecionam informações do seu ambiente para resolver problemas ou satisfazer objetivos.

– Pode ser uma atividade direta e simples: “onde está a chave do meu carro”;

– Pode ser uma atividade complicada, como no caso de Jonathan: “descobrir um pouco mais sobre a origem da minha família”. Quando envolvidos por um enredo complexo, existe a chance de nos transviarmos em digressões maiores. (Já dizia Clarice Lispector, “perder-se também é caminho”);

– Também é mesclada por emoções: estudos atuais apontam para o conceito de busca emocional, ou seja, nossas emoções são tão fundamentais quanto o processo cognitivo e comportamental. (Kalbach, 2008).

Resumindo, assim como Jonathan, ao buscar por respostas, “somos tão racionais quanto não se pode ser”😉

To be continued…

Bibliografia
KALBACH, James. 2008. Designing the web navigation. Estados Unidos: O´Reilly, 2008.

Perdidos no hiperespaço


Comparativamente, a sensação de perder-se em grandes cidades ou em portais pode ser idêntica. Perda de tempo e frustração descrevem a aventura de vagar por bits desnecessários.

James Kalbach,2008, em seu esclarecedor livro, “Designing web navigation, optimizing the user experience“, procura estabelecer:

– Em que momento os usuários se perdem no hiperespaço;
– Modelos teóricos que ajudam a compreender como os usuários buscam por informação no mundo virtual e físico:

Nas suas palavras:

Theorical models of information seeking help explain how people find information by taking holistic look at the ways in which people hunt for information in their lives. Understanding them may not solve your immediate web design problems, but an awareness of their basic principles can help you understand broader navigation issues. (KALBACH, 2008 [1181, edição para kindle])

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Ponto de Mutação


“(…) composers use change in pitch, rhythm, texture, and so on to create drama or to move the music foward. Change and variation is vital to holding the listener´s interest. As was once said about J.S. Bach´s music “it is great because it is inevitable and yet surprising.” This also echoes the theory of aesthetic value proposed by American mathematician George David Birkhoff: for a work of art to be pleasing, it should neither be too regular nor too surprising (…)” Kalbach, 2008.

Nunca pensei em relacionar o entendimento de conteúdo por parte dos usuários à mutação do sistema navegacional. No mundo físico coisas repetitivas, de fato, enjoam. No mundo virtual também. Se compararmos navegação de sites ao desenrolar de filmes, tentaremos tornar a transição das páginas sutil, mas não monótona. Dinâmica, mas não drástica.

David R. Danielson escreve sobre o assunto no artigo Transicional Volatility in Web Navigation, ao pé da letra: Volatilidade Transicional em Navegação de Web Sites… Continuar lendo “Ponto de Mutação”